Sábado, Janeiro 16, 2010

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Terça-feira, Dezembro 01, 2009

Não uma Teoria, Sim alguém de Verdade


Num sítio por acaso vi uma pessoa desconhecida a dançar um movimento de ombros parecido ao estilo popping & locking, com um retoque feminino. Mesmo de casaco fazia lembrar esse género de dança. Eu não conheço bem a pessoa. Pouco mais do que vista e do que me contam sobre ela. Vejo que tem cabelos ruivos longos, brilhantes, da mesma cor que Rachel Ripani, a que desempenhou a “Tatiana” da novela brasileira “Caras e Bocas”, mas mais brilhantes ainda, muito mais longos, muito mais orientais, mais diva ainda... Pele clara. Não é muito alta. Mas tanto quanto sei parece ter uma personalidade e tanto. Carisma.
Outro dia a um amigo chamei-lhe a força M, agora a esta personalidade chamar-lhe-ei a pessoa T. T de espantosa. Pelo que sei ser verdade, tem 17 anos e anda no segundo ano de Universidade. Uma pessoa que aprende a viver com as responsabilidades vindas com a idade antes do tempo. Digamos que isso é uma virtude e uma raridade. Pelo que decidi compartilhar esta imagem que criei dessa individualidade. Parece que gosta de ouvir as pessoas. Mal ou bem. Parece algo normal. Mas tem paciência inata e humilde. Autêntica.
Do que gosta ao certo não sei. Mas sei que de coisas variadíssimas… Gosta do espírito académico. É normal. Gosta de jogar cartas. Mas não sabe o mundo de jogadas fraude e de jogadas manhosas ou apostas a dinheiro. É um passatempo. Que muitos conhecem. Gosta de festejar aniversários em bolinhos pequeninos a amigas próximas. Pelo que vi. Foi tudo o que vi. Tudo o que conheci. O pouco que conheci. Mas o suficiente para saber que é uma presença importante na sociedade. Uma pessoa importante para o mundo. Não pelas cartas. Não por tudo. Mas pelo coração verdadeiro. Não é uma pilha artificial cardíaca que trabalha por obrigação e é feita para isso! Nasceu assim. É natural. E sente-se o seu bater à distância, como uma presença sobrenatural. É um coração que se espalha pela ramificação de artérias e de capilares por toda a rede purpúrea humana, escusado será dizer que é “moche e extravaganza”. Um impulso electromagnético que impele sorrisos eléctricos. Amizades incandescentes, gentes e gentes!
Há filmes baseados em vidas reais sem tanto impacto. Mas que opinião conta a minha? O que me interessa não é lisonjear a pessoa mas dar o seu exemplo para o mundo. Viver uma vida feliz e despreocupada, humilde e imaculável, livre e ondas, danças e estudos, competência e serenidade, stress e calma, altos e a aceitar os baixos, perceber o bem e o mal, aconselhar bem e bem, no bom sentido e no bom sentido, advertir e não censurar, dando espaço às escolhas de toda a gente, respeitando.
A pessoa T bem o sabe melhor que eu porque não a conheço, mas é daquelas pessoas lindas dos dois lados da virtude, por fora e por dentro, falando ou caladas, que se sente a sua vibe à distância, como sabermos que a Lua e o Sol existem sem nunca lhe termos tocado, como percebermos que há mais leis que regem o Universo do que as que conhecemos, que Jimi Hendrix espalhou a sua alma por Woodstock e fez chama sem termos sido daquele tempo e só vendo a amostra dos vídeos. E por mais estranho que pareça a pessoa T tem ídolos, o que revela não ter egoísmo e reconhecer o valor de todas as pessoas! E como disse tudo é verdadeiro nela. Como a cor dos seus cabelos. A benevolência das suas atitudes. E a tal importância do inédito nela descrevo tanto quanto sei dela. A originalidade no mundo conta, muita mais quando podemos descrevê-la com um T, um T que nos diz que no fundo a descrevo porque queria ser assim, verdadeiro, honesto, um extraordinário T de ‘The Truth’, a palavra tão mundialmente célebre, que se aplica na lógica, na matemática, na filosofia, na pragmática, em teorias da evolução, na religião, na teoria da coerência, na teoria da correspondência, na semântica e particularmente nas relações sociais e humanas! A essência que rege o mundo e dá esperança, e de nome “pessoa T”, a pessoa que vemos nos filmes, nos romances, que rege o discurso durante séculos, que é proclamada por todos os políticos, que tanta gente procura e se redime a religiões e organizações idealistas, e que veio encarnar nesta geração, e eu já vi essa pessoa, e é o meu novo exemplo, aquele que procuro seguir e que me custa tanto por ser tão difícil. A pessoa T de Coimbra provisoriamente… Não só uma palavra, não só um conceito, não só um ideal, não só uma personalidade, não uma história, não uma frase, não só uma expressão, não é fé nem uma utopia, não uma ilusão nem uma aparência! Mas sim uma grande PESSOA!

Sexta-feira, Novembro 27, 2009

Force M - M Theory - Human M - M person - My Friend


Tinha um amigo que o relembro agora estando um ano quase sóbrio, sem especiarias estimulantes potentes, sem as pílulas da paz, sem o fumo papal, agora sem as mezinhas da calma, sem cocktails, sem o ópio moderno combinado, só com bupropiom, uma anfebutamona, e queatipina. Esqueço-me dos tempos e vou apagando da memória o passado. Mas não o esqueci. Esse amigo, a força M, uma pessoa minha amiga. Ele era o que se chamava de uma pessoa muito muito especial, quem o via nunca imaginaria a pessoa que estava por trás dele. Uma sombra colossal, as trevas dispersas por todo o Mundo. Tanta história porque já passou. Já tinha vivido a sua cota, e ali estava perante toda a gente como uma pessoa pacata, sem grandes intenções, aparentemente sem vícios. Inteligente, astuto. Por trás dele estava alguém que tinha entranhado nas linhas ferroviárias humanas Júlia, tão aguçada como a Julia dos Beatles mas em sentidos diferentes. Executava-o depois de entrelaçar o seu espírito químico com o ser oposto, que conhecia pontualmente e com quem se dava pontualmente, ali debruçado no chão, com uma perna um pouco à frente e outra em cima dessa chegada um pouco atrás, e um dos tentáculos estendidos, como um polvo de um só braço, o braço que ali deixava o prazer invádi-lo da maneira mais rápida imaginável, de uma forma completamente exagerada, e lá o coração batia de uma forma tão veloz e lá o resto do corpo anestesiado pela pureza Colombiana, principalmente o pau. O mundo parava, uma sensação de alerta, vigília, seguido de uma confiança em si nunca vista, uma arrogância natural, atenuando sempre até que venha a fluência linguística, sem cansaço, com alguns picos de um estar diferente, não tão bom, a perspicácia de experimentar constantemente de passagem… Por trás dele ele tinha feito algo que poucos fazem, trespassado num dos seus ramos o fenómeno de Hoffman, sentindo quase espontaneamente e em grande intensidade os efeitos vindos da quarta dimensão oculta ao nosso intelecto de uma forma explícita que Einstein estava certo quando fumava do seu cachimbo e dizia teorias, sem perceber sequer equações às derivadas parciais e postulados, os seus olhos faziam logo ‘blim’, ampliando consoante a sua visão do espaço se tornava gelatina, e brincava assim numa sala cheia de espelhos (isto visto numa postura normal) e luzes, candeeiros, esboços e ali era possível passar 10 horas perdido no seu autoconhecimento. Era uma experiência radicalmente apartada de tudo. Por trás dele, o seu autoconhecimento e habituação dominados, o total conhecimento dos seus limites, a sua experiência, a sua simbiose com a sabedoria da idade. Ele conhecia bem o término da toxicidade da Amanita Muscaria, quanto chapéu poderia comer. Ele que ultrapassou o termo humanamente praticável de deslizar pelas “veias da sua alma” o suco de 50 bagos de atropa belladonna que renasce em cada Verão e que a melhor colheita é ao fim da tarde, ao pôr do Sol. Ele que bebeu o mítico chá de datura stramonium e não enlouqueceu, que bem sabe ele muitos fenecerem por isso porque não sentem logo a chama virtual de ilusões realistas, únicas em todo o mundo químico. Ele que conhecia o PCP muito melhor do que nós conhecemos qualquer partido político. E ele que esperimentou especial K quase tantas vezes como comemos esses cereias para regular as fibras no nosso organismo, a máquina mais complexa entre nós. Ele que dizia que se fosse na Índia não seríamos ‘freaks’ e que já teve muitos efeitos residuais e persistentes sem se aventurar no mundo dos psicotrópicos. Ele que estava com os amigos para almoçar num restaurante enquanto deleitavam-se com uma “love lotion” e que sentiam uma harmonia e conviviam em plena tarde, numa histeria já apagada com a rotina, e que saíam sem pagar a conta nem compreender o que o empregado ou o dono do restaurante gritava para eles. Ele que vinha num automóvel com a namorada que perdera sem culpa mas pela culpa de ambos e que começou a ver só quadrados e triângulos e pigmentações e rastos após ter engolido em seco fungos dos Maias. Ele que prendia o cão e o cão lhe sumia numa fragmentada unidade de tempo. Ele que sabia mexer as peças sobre o tabuleiro xadrez. Ele que jogava bem a sueca. Ele que tinha traquejado adrenocroma, a adrenalina deformada no extremo. Ele que sabia bem o que era mescalina, que o México não ficava longe nem o peyote, o cacto que desceu dos céus e deu seiva de planta. Ele que o ópio era esfumado como os japoneses sempre souberam fazer. Ele que sabia que a rainha do topo da cadeia era suportável e que não era um poço para si, pelo veneno que já cicatrizava o seu fígado. Que sabia o que eram um speed e um drunfo. Um barbitúrico e a sensação de nadar em epinefrina directamente no coração. Ele que um sujeito em Fátima o havia hipnotizado e conduzido a Cascais e lhe dera umas gotas numa nova viagem totalmente diferente e controlada. Ele que viera da Alemanha até à França sem bilhete de comboio e com um saco de leite em pó impulsionante e fora expulso do trem. Ele que fazia car-jacking e assapava em subidas deixando o carro voar nas descidas a toda a velocidade e perdendo o controlo até se amolgar até ficar compilado. Ele que trazia dos Países Baixos feitiços isolados “no oculto” suplicados para pessoas próximas, feiticiaria dos melhores laboratórios e plantio.
Ele era um que já vira o Delírio em Las Vegas, o seu mundo amassado em casinos, em copos e álcool, em hóteis. E vira também a prisão por danos públicos. Ele que ninguém imagina o segredo escondido nas suas costas vistas por muito poucos e mantido em segredo. Só eu o sabia. E por isso a força M será mantida sempre em sigilo e ninguém imaginará quem é, mas este texto é feito em seu nome. Ele que várias companheiras o apanharam a pratear as artérias. Ele cuja família o ignora e o esquece. Ele que praticava cyberwar e envia e-mails a celebridas, como o Bush e certos líderes políticos e entidades corporativas e observava o mundo mudar da forma que quis, e recebia respostas vexadas. Ele que tinha aberto espaços na sua mente que ninguém consegue imaginar e que tornara um pouco de um filme em que um cientista serve de cobaia e se isola num laboratório com todo o tipo de psicadélicos e desmembra poderes da mente inexplicáveis. A força M que acreditava em mundos paralelos, que acreditava na reencarnação até que atingissemos as respostas à existência. Que sorria por transformar-me num dos seus segredos. Que tinha sempre a mesma postura, que andava sempre no mesmo jeito, de forma mecânica, numa tranquilidade inantigível, um género de Nirvana. Um descendente de Svayambhuva. Ele que tinha eczemas como eu, do mesmo jeito por razões quase iguais. Que desistira de tudo e fora viver nas ruas e perdera todo o dinheiro, e dormira em casas abandonadas, que no fundo não esquecia o Alemão e o cérebro embora alteradas as sinapses e sofrido as consequências do abuso continuava a aguentar. Que mantinha a sua cultura. Que sabia muito bem o que as publicidades significavam. O que era já ter vivido tudo e agora reduzir-se a um ser que percebera muito para além do que o seu curso de economia lhe tinha proporcionado. Um curso que não tinha tido equivalência em Portugal.
Alguém que a história vale muito ser contada, porque tal como na Janela Secreta, “no one will ever know”. Alguém que já não vejo há muito tempo. E que prometi voltar a revê-lo. Porque era o meu mestre. Alguém que a amizade constituía mais que ceder um cigarro sem significado. Alguém perdido num dos labirintos que a mente paranormal do Matt Parkman dos Heroes concebe.
Alguém que me ensinou sobre a vida e sobre a não vida. Que me deu a conhecer para lá do potencial e que me fez ver quando acaba o Homem e começa a Máquina. A suprema inteligência. De que falávamos. Alguém que vivia num mundo cheio de ilusões, delírios, distorções, ensinou-me por mais que fosse dentro havia sempre um ponto com a realidade, uma forma de distinguir o que conhecia e caminhar entre as duas. Alguém que me ajudou a conceber um plano. Alguém que sabia o que eram os The Poppers. Alguém que fumava um cigarro tão rápido e sem desconcertar as anilhas de chumbo do papel branco e me matrizou o vício. Alguém que me desvendou a imbecilidade da Mary Jane, a rapariga chata desinteressante, que ibinia a abertura da consciência.
E com o tempo vou esquecê-lo e ninguém o terá conhecido. Terá descoberto em tal parede sem fundo a força M. E nisto se percebe que tudo é criação do Homem e nenhuma essência tem significado próprio, e é inútil haver tabus e proibições. Porque nunca ninguém experimentou a verdadeira liberdade. Que vai sendo conseguida em módulos. Por isso a toda a teoria do autómato celular e da tendência ao equilíbrio e ao desenvolvimento e a toda a complexidade do Universo vou sempre vê-la como força M, não de coisa, mas nome de gente, e só uma pessoa tem a marca, não é como a passagem da bíblia. E essa pessoa é o meu amigo que reverencio. Embora as minhas palavras de nada valham. Não tenham a força M, porque é só algo conhecido e para conhecer é muito difícil de entrar. E depois de lá estar é mais fácil perder-se do que chegar ao autocontrolo pedido aguçadamente no karaté ou no kung fu, ou em Tai Chi Chuan, ou a técnica do Krav Maga, ou a violência do Muay Thai, ou a espiritualidade dos mosteiros Budistas da Tailândia.
A força M. Ele. O filho de Svayambhuva. O último império. O Magno. Um Mártir. O Novo Movimento. O M. O Meu amigo. My Master. The Masterpiece.

Quinta-feira, Setembro 17, 2009

A Universidade de Coimbra



Saídas à noite, vida boémia, melhor que a droga. Miúdas por todo o lado, mulheres, raparigas, vestidos a aluir à graça do vento, calçada, descidas e subidas, bares e discotecas, estudantes, jovens, de capa e batina, pretos com insígnias, sapatos, bebida, shots, cocktails, long drinks, uma atrás do outro, risadas, sorrisos, graças, conversas de café, conversas da noite, de saídas nocturnas, de praxe, a vida da rambóia de Coimbra.
Os senhores doutores que desejam cantar noite dentro, músicas de tradição, de participar em festas e praxar caloiros, a História da cidade, ‘flashbacks’ dos antigos estudantes, já enterrados em cemitérios perdidos pelo mundo, escritos em livros da Grande História, enunciados em feitos da cidade, em monumentos, em manuais escolares, no hino nacional, os heróis da pátria, os heróis da bebedeira também.
Os senhores doutores que jogam matraquilhos e ‘cricket’, que dançam nas pistas e fumam tabaco e brocas, que caminham em grupos, que encaminham os caloiros, que dão as boas vindas de uma maneira diferente. As senhoras doutoras que gritam e ordenam, as vozes da guerra. Todos numa panóplia de diversão e estudo, livros e letras, números e equações, computadores e aparelhos electrónicos, finos e traçados, zebras e corvos, bailes e bailado, a descrição da amizade em fogo, do amor pelo espírito académico, pelo costume.
E no meio daquela agitação, alguém estático observa, vê tudo a passar a um milhão à hora, rastos de solas desgastas, de panos amarrotados, permanece sentado em frente a D.Dinis, vê futuros a percorrer a calçada e a praça, sente-se agarrado a um mundo novo, um boi em frente a um palácio, um cão em frente à Igreja. Desconhece a cidade e as pessoas e de algum modo sente-se em casa, que é pertença daquele giro, daquele caos em ordem, daquela desarrumação numa biblioteca de milhões de livros, a biblioteca da humanidade. Vive os sorrisos e as conversas que lhe parecem reais à vista, as conversas dos veteranos, dalguns veteranos, dos mais novatos, dos da hierarquia.
E fica ali, para sempre, a enraizar na terra, a agarrar-se ao solo, à dança dos sete ventos, ele é um lírio no meio das batinas, os cinco elementos entre as dez dimensões que o Universo tem, um novo estudante na cidade que em breve se integrará, ou pelo menos para lá se mudará, que escolheu lá e lá ficará…

Quarta-feira, Setembro 09, 2009

Para a Elsa Oliveira de "far far away"

Há muitos anos atrás, no império “far far away’’, onde a noite empurra o dia e o encosta a uma vedação de arame farpado, vivia uma pessoa deste Presente, de França agora, uma vida passada de alguém deste planeta. Alguém que gosta da noite e de dançar, dançar, de se dar bem com as pessoas, de amizades, de seguir coreografia sem seriação, de dança em grupo, danças de roda, de dançar um Àse Yoruba moderno vestida de casaco de pele, algo místico com afinidade ao sobrenatural!
A Elsa que vive agora em França e na outra encarnação viveu no império “far far away”, a Elsa que se interpõe em linhas e pistas de dança, que gosta de dançar e de efeitos de luz, holofotes de 4000 Watts coloridos que rodam acima e abaixo, que gosta da névoa gerada pelas máquinas de fumo, de mediar a vida nas férias com a lembrança do emprego que tanto gosta e ambiciona ascender. A Elsa que não conheço e que não me importa saber da vida, a Elsa que não é nada parecida com o que disse, mas que gosta de ritmos, “Don’t Upset the Rhythm”, “Don’t you dare”, não lhe vou tirar ritmo nem música na sua maneira de ser e fazer vibrar as cores como os candeeiros que pasce ver juntos a bandas que já não gosta tanto. E vivia num império no passado, noutra galáxia que é igual a Paris agora, uma galáxia que era só sobre Paris, porque no fundo toda a música sobre ela é texto, texto que se remete simplesmente à Elsa do presente, porque o presente é que importa e o futuro… para quê dizer ou querer saber se na maior parte do tempo dançamos ao sabor do momento?
Até mais “far far away”, vou ter saudades, porque quem deste país parte, parte para longe, mas fica sempre perto, na alma…
Até já Elsa.

Sexta-feira, Agosto 28, 2009

Na linha branca - como se houvesse mesmo uma


Há muito tempo atrás, numa pista de dança, PJ adjudicado entrelaça as pernas e pulsa ao sabor da música, impelido pelo melhor estimulante do mundo, a senhora Branca, tinha na mente a frase do cheiro, daquele fragor tão potente, capaz de o fazer falar a uma velocidade do turbilhão da mente em hora de ponta, quando tudo flui como um rio que serpenteia, dizia: - Eu agora já não preciso de pastilhas, tenho travões de disco.
E lá continuava a rodopiar, sem transpirar, sem se estafar ou fartar. De sapatilhas Rip Curl, a modus que imitação de Vans, experimentava a gulosa, embora não lhe desse para tanto tempo, casa de banho, mais um traço, no chão de azulejo reluzente, brevemente debaixo da ‘’bola de cristal’’, no ritmo da melodiosa narração da Cinderela, deixando o sapatinho da Rip sem Curl, para a princesa apanhar, mas a princesa ia-se a ver era uma senhora, era branca como a neve, crispada como sal, inalada como um aspirador em linha recta, em cima de uma mesa, de cano somente. Eram os dentes a estalar como as paredes arcaicas de estradas de betão. O aspecto de pálido, de vampiro, o sugador nocturno que escarnece e estira as costelas com a luz do dia, quando a festa acaba, o drácula que se ausenta num caixão, encerrado, selado, com velas a proteger.
Kiza, a correr pelas veias, vinda das narinas, e os outros a darem no pó, para quê? Quando podem ter uma vida clara, a deslizar pé após pé sem amanhã. Só com noite. Só com… mas o efeito estava a acabar, o caminho para a casa-de-banho muito longo, a estender-se, a ânsia da sobriedade novamente a aparecer, e só tinham passado uma hora e vinte da última fragrância inalada, o pó estava perto, haviam moonrocks por aí, outros até se atreviam a brotar numa de speedball, mas em outros dias, não numa saída, não fora de casa. E as moonrocks tão perto, no entanto tinha de saltar a rede e passar para a praça de lá, para lá da linha branca, chegar ao topo da colina, com o cavalo e ser protegido pela Santa Nossa Senhora já nada branca, bem castanha, como a vez que na Nazaré alguém protegeu o caçador.
Mas o muro aumentava, aquilo seria uma perda enorme na network neuronal, era má onda bailar com aquele pessoal das rochas da lua, e assim prevalecia a linhagem ebúrnea, nada de ‘cocktails’, eram muito pesados para a hora e não havia tomates para isso, logo teria de ser de frutinha, que dá vigor, energia, vitalidade, força, pica, e muita dopamina e noradrenalina para os nossos cinzentos bailarem rebarbados de quererem mais e mais e mais e sentirem cada vez menos.
Acabou a música, fechou-se a pista de dança, até ‘amanhã’. Logo à noite.


Sexta-feira, Junho 12, 2009

Para a Lénia


Porque adoras sorrir ao mundo, brilhar para as pessoas. Porque escolheste um bom caminho.
Alguém que gosta de judiar e alegrar as pessoas, à estilo de neo-hippie. Porque é livre e і∏ e ninguém lhe tira essa afinidade com o imaginário e o real transcendente. Porque está nos meus sonhos e vive nas nuvens, voa como os anjos e aparece em obras de arte do Renascimento. Porque é uma outra maneira de viver e ver a vida.
Quem não gosta dela? Quem não gosta de algodão doce? Quando acorda pela manhã devem as janelas e o mundo acordar, é o céu azul e a tempestade nos trópicos, é o brincar, vibrar, dançar, e eu vi alguém que não irei esquecer, não sei quando a conheci, não sei quando a conhecerei, mas é o mistério que reside na fé de conhecer um princípio que passa para além dos nossos limites, demove e comove as pessoas, como disse transcende como o Pi, e é iPi.
Se não é parece. O que tem de eu errar? Nem sempre faço o melhor da melhor maneira. Mas é bom dizer as verdades e ver a casa do campo respirar do ar vindo dos pulmões da Terra, as árvores.
Quando me aproximo dela sei que tenho sorte, que sou sortudo, mas não páro de pensar que o que se pode fazer é por alguém.
Lénia, meu bem.


Sexta-feira, Junho 05, 2009

Brahma


Lembro-me de um colega perguntar o que é que eu via nos ácidos. Ia o carro a descer uma ladeira em cima de uma estrada. Eu contrapus na minha solidão frígida e murcha, vês todo o passado e futuro do Universo, como se o Tempo fosse só um, como se as víboras tivessem infinitos olhos e fossem seres capazes de desdobrar a temporalidade através da previdência social e espacial.
Um dia conjecturei o Universo e estava em ácidos, na maior aberração do LSD, via o mundo a respirar, filas indianas de seres microscópicos a rebolarem no chão, heras que se juntavam e afastavam, brilhantes, multicoloridas, vi a luz dos candeeiros a engrossar como se fosse um foco, um cone de fótons. – O carro balbuciou ao meu amigo meter a quarta. – Vi músicas e murmúrios do passado, era como se estivesse a ver a mãe natureza e ela decidisse agarrar-me com a sua mão hedionda e acariciar-me com as flores que nasciam na palma da sua mão sem espinhos. Vi os placares da publicidade a encadearem ramos espectrais, de ‘todas as cores’, vi os meus pensamentos e as letras a dançarem, na mesma dança que Brahma fez nos sete ventos ao criar o Universo e a entregar-se por ele, dissipando-se no total delírio, alucinogénico. – Agora íamos numa subida e os meus amigos não acreditavam que era possível ver isso tudo, revoltei-me ainda satirizado pelo efeitos dos cones (LSD), o estado psicótico que é difícil de atingir ao longo da vida, mas que quando se morre decerto se atinge, aquela luz ao fundo do túnel que muitos acreditam ser dominada por alguma força superior, ou uma entidade divina, em que se viria aquele mundo de animações perfeitas, de música inexplicável, em que os sons se vêem e as imagens se escutam.
O carro parou, chegaram para me entregar em casa. Terminação do texto. O carro arrancou sem mim. Fiquei só. Vi o chão a movimentar-se, pareciam indícios daquela dimensão a regressarem para me acariciar, o chão a estilhar-se de encadeamento, numa clarabóia que parecia transformá-lo em plasticina, era eu e a minha solidão, revivendo doces momentos. Inusitados.


Quinta-feira, Maio 28, 2009

A Joana Norberto - Última Edição


Aprimorando a vida de alguém especial. Nestas frases que desdobram linhas firma-se a bela descrição de Joana.
Joana Norberto.
Entrada no diário número 101 – O terceiro satélite a contar do Sol parece fechar em si uma névoa de males, entrenhando-se em ciladas firmes como aço. No meio de tanta gente numa cidade como Lisboa, fica na Margem Sul e aproveita a beleza da bondade de alguém, de nome Norberto, Joana.
Entrada no diário número 202 – Vi-me a mover nas calçadas deste pântano citadino e confirmei o meu maior medo, respirar este ar cheio de impurezas, desde substâncias equiparáveis ao Urânio e ao Plutónio, acabara de saber que a presença de alguém podia derramar esta poeira infinda como um escudo ultra-tecnológico, essa pessoa era Joana, Joana Norberto.
Entrada no diário número 303 – Deu-me a conhecer um jovem Filipe com o intuito de encaminhar alguém numa nova vida e se pensas que não é ajudar há um terrível engano, mas é ajudar e é assim alguém bom que o planeta inteiro deve respeitar.
Entrada no diário número 606+6 – Nota número um: omiti muito o que haveria de dizer, mas ela permanecerá sempre um mistério para mim.
Rodeado por escória pensaria na sua essência e meramente deglutiria tudo o pudor que estivesse nas redondezas, o mundo faria sentir-se se não houvesse aquela guerra fria, mas agora apareceu uma arma nova, Joana Norberto, que findou com a complementação do Cosmos.
O oceano respira levemente, o areal parece calmo, Costa da Caparica além. O Túnel para o outro lado, para outra dimensão, para o paraíso, é lá que alguém passa o Verão.
Joana Norberto, sabemos que estás aí - Última entrada do diário. Calma, não quero que as folhas se amachuquem, o Verão em breve chegará e não vento que arranque o que aqui se diz por palavras...


Sexta-feira, Fevereiro 20, 2009

O Cigarrudo


Reles fedelho sai daí. – Dizia o cigarrudo de cigarro nas trombas para uma criança educada e de boas famílias na estação de comboios, mesmo ao lado da linha ferroviária. Dizia ele tão apressadamente que me esqueci do travessão primeiro posto como deve ser, de alta categoria, daqueles postos que ganham fortunas ao fim do mês. Que deixam de rastos a boca mais aberta de ver tal notícia da TV.
Porém o puré com batatas fritas aqui é o cigarrudo e não os altos comissários de ordenado ‘fatiudo’. Um homem de casaca de lã, calças a modos que ‘rasgadíssas’, trabalhador não comunista, – voto sim, mas não ‘com partilha’ – embora toda a gente da CP bem soubesse que era ou PS ou PSD, tendo como ponto de vista a Esquerda nos dias de bebedeira de cerveja, e a Direira com bebedeira de vinho, traçado a traçado lá ia um comboio de tinto, nesses dias, como a gente da CP também sabe e certamente absolutamente bem.
O cigarrudo, velho rabujento, moço dizia para muitos do café do Jacinto Albuquerque, moças dizia querer muitas nas festas javardolas da terrinha, capaz de engatar o boi à carroça, aldeão de forças e tracções que deixavam moça e vestígio em toda a peça de artesanato quando às patadas ao se enervar borracho e aos trambolhões quando o vento assim o ajudava, estava a chegar pela manhã ao cais 1, da estação com a sua casaca de lã, revestida por um colete fluorescente próprio daquela empresa do apitó-comboio, dizia a meio que com um tom solene e refinado – Reles fedelho sai daí. – «E agora noutro tempo fez-me escrever um momento só com dois sinais ortográficos». Lá ia ele a varrer o «cais 1, cais 2, cais 3, cais 4», com a sua velocidade que o comparava a uma lança, numa «bubadeira» de enfiar o caroço ao cão.
Todos em torno sabiam que era um empregado assíduo da C.P. e do tintol ou cerveja se socialmente, à Esquerda. De bochechas rosadas como eu mas por outros motivos, barba calva e rija, que me faz lembrar o meu amigo Rijo, com grande estilo, solenemente dizendo – Reles fedelho sai daí. Reles fodê-lo sai daí – à criança solidão, sempre educada, que mesmo naqueles andarilhos, com tanta gente conhecida de vista se fazia comparecer, de tão boas famílias e que abrange tanta gentalha daqui e dali nem sabem as gentes dizer,’num momento não era ninguém depois apareceram tantos’, dizia ele a remoer qualquer passado enquanto varria, a sucumbir aos deambulos dispersados.
E ali estava a história do cigarrudo que fumava com uma grande ‘bubadeira’ às costas, agarrada como um chimpanzé, e aqui está a explicação de uso de travessão e depois não, a causa: “a solidão, pois então, reles fedelho sai daí” – Dizia ele ‘cus’ copos, roendo nozes, o cigarrudo, de cigarro, na C.P., bem por aí, ali e acolá.

Segunda-feira, Fevereiro 16, 2009

PJ Sozinho na Luz


PJ ia perdido na turbulência aérea dos fumos sagrados até ao Bairro. Andando, caminhando, andando, passo a passo, sem que o compasso temporal parasse. Entre bocas dizia mentiras piedosas. Era a lástima da sagrada Lisboa, desviando-se da Catedral Académica, o Técnico. Borrifava o chão com as suas sapatilhas Rip Curl, abismado pelas parentais coincidências que divisava, cães brancos e gatos pretos.
Eram tantas da manhã, já no percurso inverso voltava do Bairro Alto, não ouvia um piano a tocar aludindo a um ambiente cinematográfico, não tinha jeito romântico ou enigmático, era um precursor da ficção científica do futuro, era rodeado por Luz e sensível ao mais ínfimo agitar acústico, às imagens, aos movimentos brownianos, rodeado por Luz e sensível ao mais meticuloso sentido paranormal de Lisboa nocturna. Cada passo fazia tremer o chão como se a calçada se desfizesse como o chocolate, ou deslizasse como poçadas de água, e formasse fractais em torno dos seus pés, dos pés do PJ, das Rip Curl que tinha calçado mesmo antes de sair do apartamento que partilhava com duas raparigas de bem.
Eram mares de ácidos distribuídos pela fatalidade daquele andar, vias de arco-íris e marés vermelhas, de ondas de tuti-fruti, de frutas tropicais, de autocolantes pintados com Robbialac, vídeos convertidos em notas de piano e harpa.
PJ estava fascinado e assustado, paranóico, talvez a sua personagem não tivesse sintetizado a realidade no ponto de embraiagem e estivesse perdido num tremendo enredo de muros e paredes, montanhas-russas e casas-fantasma enchidas a garrafões de cinco litros de cores e smarties e pintarolas e de palhaços gnomos.
Mas PJ foi dormir e anestesiou o Bairro e aquela vida lançada pelo silêncio e barulho, calor e frio, cores e mais cores, sons e sonos reais, embora ficasse cicatrizada para sempre no seu córtex, na sua memória...

Domingo, Fevereiro 08, 2009

...&&...



Era a primavera a sorrir com um sol num tom refrescante, as chuvas passadas, o tom da casa da praia a melhorar, perdendo as carrascas que se apegam às casas em Invernos incessantes. A casa ainda num tom misterioso dos ventos abismais e das nuvens que abraçavam o Sol. As portas engomadas da madeira estática.
Ela aparecia no encanto da manhã. Era filha de uns amigos dos avós com quem fui passar férias naquela praia em que a natureza outorgava a fase metropolitana mundial. Usava calças de ganga justas, uma blusa verde e umas All-Stars vermelhas, as originais. O cabelo era longo como vastas linhas que se estendiam por campos de trigo que sobressaíam e davam um novo rumo estocástico à sua postura esbelta, sublime, feminina.
Era um azougue que me puxava num redemoínho de terra movediça como em zonas de pântanos. Um labirinto, o mundo da Alice no País das Maravilhas, os incontornáveis dilemas paradoxais, a luz ao fundo do túnel, o brilhar dos seus cabelos castanho níveo. Era um cataclismo e ainda assim doce e terno, o que muitos chamariam de amor à primeira vista e eu chamava de perdição.
Dei-me com ela, brincávamos na areia, rodavamos naquele requinte que só dois corpos astrais conseguem, segundo as leis de Newton, segundo Aristóteles, segundo Einstein, segundo Jesus Cristo, e sem pecado porque ambos queríamos e a sua felicidade criava um enredo que esquematizava bem mais que duas palavras de algodão doce.
Era uma neblina entre o vocabulário, a nossa alegria estabelecia o que muitas leis da natureza ou computadores não conseguem expressar, era o lado emocional humano, o ênfase de nos darmos e não haver mais ninguém na praia, o cigilo, a liberdade. Os beijos que aqueciam as marés, que curavam os piores males, que levantavam nações e estendiam longas frases de heroísmo aos nossos lábios. Que se completavam.
E numa manhã acordo naquela casa da praia, sem sequer ter alguma vez pensado no fim das férias e vejo que ela fora com os amigos dos meus avós, tendo voltado tudo ao Sol fresco da Primavera, e eu nunca mais a vi, permanecendo para sempre nos meus sonhos, naquele lado ininteligível, o lado que procuramos perceber para atingirmos a fase espiritual seguinte. O castelo de areia que gostávamos de desfazer e voltar a fazer, pondo grão a grão, empilhados como se faz com os blocos de tijolo e eu era bem capaz de redirigir este texto duas vezes seguidas igualzinho, mesmo sendo uma história imaginária. E aquela praia imaginária se tornou em algo mais no canto entorpecido da mente, nos segredos que nos tornam Humanos para sempre. Nem que eu não saiba dançar.

Domingo, Fevereiro 01, 2009

Uma consulta


O médico num gesto meticuloso com a sua bata levanta-se ligeiramente da cadeira e acena para que entre o próximo utente.
Aparece um rapaz, de 19 anos, com os olhos esbugalhados e umas olheiras de arrepiar que posteriormente lhe respondia a todas as perguntas com uma agilidade de vocabulário médico técnico preciso.
― O que consumiste? ― Pergunta o médico.
Responde o utente ― Haxixe. MD. Cocaína. Anfematinas. LSD. MDMA. Ectasy.
― Com que regularidade?
― Experimentei.
― Tu ouves coisas ou vez?
― Para além das pessoas quando falam e os ruídos normais não.
―Então que te traz cá?
― O tempo parece-me sempre o mesmo. É como se soubesse que moedas tem na carteira porque dentro de segundos iria ver-lhe a carteira e como o tempo não passa eu estou em todo o Tempo ao mesmo tempo e consigo antever o que faria. Mas antever não é um termo preciso já que o tempo não passa.
O médico surpreendido receitou-lhe Zyprexa que contém Olanzanpina 10 mg e que estabilizou o degredo da mente do rapaz. E a consulta terminou daquela maneira. Sem pensar se mais alguma vez se cruzariam já que o rapaz se voluntariou para ir à consulta. E todas as outras perguntas e respostas ditas pelo meio foram suprimidas desta narração porque tal como o tempo estavam no momento certo. E são claras como a luz.


Sexta-feira, Dezembro 19, 2008

Série Bar - Episódio 1 – Botar fora Os Estupefacientes


Zé Cortes – Hello rapaziada, vai tudo nas rodas? – Entra com um sotaque de provinciano.
Tó Zé – Sim. Vai tudo. – Cumprimentando-se à mitras com o golpe no peito. – Junta-te À malta que pagas o mesmo.
Zé Cortes completamente paranóico diz – Epah não. A minha está à espera em casa. Neste bote não me sento.
Tó Zé assustado – Mas já estás a querer sair mal entraste? – Com ar de revoltado – Eh rapaz a malta já se está toda a questionar quereres sair assim. Dá só um trago nesta cerveja que te ‘tou a dar na boa.
Zé Cortes – Eh mas os bar dá para muito mais pessoal. Arranjas sempre outros.
Tó Zé – Ou estás a cortar-te da malta ou não. Isso do não à bejeca não está certo que o referendo para o aborto já foi há muito tempo e tu não és nenhum deles para abortares assim. Vai um café com um cheirinho?
Zé Cortes – Epah já te disse, quero deixar isso, não me quero mais meter nessas cenas.
Tó Zé – Pute a malta amanha-se bem, sabes bem que mesmo com o teu vibe um pouco pó marado e dizeres agora que és certinho – Diz o Zé Cortes e quando pronuncia pó faz o jeito de snifar cocaína. – Tu és dos nossos. Não te vais assim sem mais nem menos.
Zé Cortes – Qui Caralho estás tu para aí a dizer, tás mouco ou quê? Eu quero largar. O bar amanha-se bem. Tou numa boa com a malta e quero levar uma vidinha normal, beber as minhas jolas quando for preciso. E não chupar pela palhinha mais.
Tó Zé – Mas deixar a cena assim é perigoso, fica aqui o pessoal do bar às escutas e vai dizer a toda a gente, assim tás no lodo e não tens mais bagaço do forte se quiseres voltar. E mais conhecemos-te de gingeira.
Zé Cortes – Man, vou bazar. Seja o que Deus quiser. Não contes mais comigo. – E abandona o local, acabando o Tó Zé por continuar a sugar as riscas de cocaína em cima da mesa de café. E entremeando com cerveja.
Noutro local. Ia o Tó Zé andando pela natureza e vivendo uma experiência nas pastilhas aparece-lhe outro amigo, o Fernando, que dava nuns speeds muito fixes que o Tó Zé lhe arranjava. Tó Zé andava num andar esquisito, deambulando aos cambalhotes. E o diálogo começa assim:
Tó Zé – É ferrado então também estás na mesma que o Zé Cortes?
Fernando – Tou farto que me chames disso. Eu não ferro nem sou ferrado. Sou um homem nas linhas, pronto para as curvas.
Tó Zé fumando o seu cigarro – Não estás a bater bem. Não ouviste o que disse? O Zé Cortes cortou-se mesmo.
Fernando – O quê? E foi parar ao Hospital.
Tó Zé – Népia. Não foi de ‘overdosis’.
Interrompe o Fernando – Eu queria dizer que se aleijou ou algo do género. O teu pensamento é uma droga!
Tó Zé – Achas que sou batido? Olha para ti, com a mania do certinho e dás nas cenas na mesma. Para qué que tás para aí com falinhas mansas de leopardo estendido sem broa. E andas sempre mocado.
Fernando – Sou um ferras é isso que queres dizer? Se interpretasse o que para aí dizes percebia que sou um animal que leva porrada de alguém.
Tó Zé – Bro, estás em nóia. Alucinas para caraças, deixas-te levar pela cena.
Fernando – Cala-te e ganha juízo, tu é que tás todo pastilhado. Eu tou manso que nem um gatinho. Vitinho, se continuas nessa onda acabas sozinho sem clientela e ninguém te curte. Bebe mas é menos.
Acaba com o Tó Zé em devaneio em passadas sem freio de alinhamento e com detalhes rigorosos do efeito da droga.
Fim do Episódio. Fim da Série. Fim das pastilhas, fim da quiza, fim do cavalo, fim dos canhões, fim de tudo.

Como alguém disse, a heroína tem um nome, ''não somos nós que somos os heróis dela, ela é que é a nossa heroína''.

Lados Sem Diabos


Folhas de tangerina rodando e invertendo as cores, tudo em constante movimento, marroquinas rebolando, casas vibrando, música falando, imagens cantando, vidas dobrando, olhos quadriplicando, as pupilas dilatando, roupa voando, as emoções raciocinando, o futuro e o passado juntando-se em infinitas explosões sensacionalistas, de letras e peças de xadrez coloridas.
A Mágica das plantas gritando, a água na praia, a Natureza ensaiando o passo seguinte, o Universo dialogando, as grutas abrindo um eco de tiras de papel amarfanhando, o efeito química de algo psicotrópico que não precisa de ser vivenciado mas sim escorregado em frases e melodias e traumas. O psicadélico num Hotel cinco estrelas, de funis pintados a lápis de cores astrais.
O legal dessas composições melódicas e visuais. As plantas não são mais que ligaduras primitivas da natureza. A nossa visão do mundo não é mais que temporária, na mesma medida que ele muda. Os animais brincam nas celas e os vaivens espaciais são alegorias da bandeira americana em Marte que fica no meio da Lua.
As junções das sensações, estouros de bem-estar. Peidos de alegria. Maravilhas vistas pelas duas ervilhas dos homens, percepções sensoriais acima do normal. Gritos que se transformam em repreensões de gosto e bem-estar, mais um bem-estar, outro bem-estar, paranóias que interligam tudo e mais alguma coisa, distorções do espaço, da luz e da audição. O efeito químico de substâncias psicotrópicas psicadélicas, que nos mostram o paranormal no real e dizem que há muitas falhas no nosso consciente, que nos ressaltam o subconsciente, a nossa parte animal e tudo visto durante 12 horas, num Hoffman bem mandado, num bem estar e num mal estar paranóide caso tenha sido em exagerado caso tenha sido posto vezes de mais. Em demasiadas vezes. E é assim que vejo a beleza de certos acontecimentos meio que anormais e bem normais se considerarmos uma abertura da consciência em certos níveis não-sociais mas sim pessoais, porque nem sempre o nosso espírito se abre para o mundo como devia mas as drogas ajudam nisso. Ou há quem acredite que sim pelo menos.

Society, Oh it's a mystery to me


Mãos de cera, moldáveis, que derretem, governos egoístas enchendo os bolsos de dinheiro e relíquias. Casas, apartamentos, pobreza e riqueza, frenesim e êxtase. As portas do futuro continuam assim abertas a quem tiver a chave. De um dos dois lados, os opostos em plena sintonia, fora ossoldados do centro que não marcham na Avenida da vida. A hipnose que não resulta e eu perdido pelas ruas da secção psiquiátrica.
Paredes brancas sem grafitis. Ninguém exaltado a querer dar a sua voz. Eu a fazer desenhos para me entreter. Na espera de que o tempo passe. A aprender a jogar bilhar para ver se me safo nesta sociedade de jogos do andar com uma pessoa para receber o seu dinheiro quando a abandonar, e depois andar com outra pessoa que por sua vez rouba o seu dinheiro e pira-se para andar com outra com dinheiro que também divide uma boa parte da sua maquia gigantesca. E neste ciclo vicioso oiço a música da sociedade oportunista e que cria esses famosos que andam sempre em festa por tudo e por nada. A comemorarem alicerces para um futuro sem rótulo, sem imagem e na música encontro espírito, mas não na música da sociedade, encontro é na música daqueles que já se foram, perdidos no tempo, sem terem regressado a dizer se o outro lado era bom ou não, mas por não vir cá nenhum ter dito é porque era melhor do que aqueles palcos em que experimentavam sensações inexplicáveis e agradáveis sob o efeito de psicadélicos que foram tema de conversa numa clínica psiquiátrica hospitalar e me levam a encharcar-me de cafeína para me manter lúcido, atento às marés de dinheiro que passam entre os milionários e que são dados a gajas que por sua vez são roubadas e participam em festas e dançam e ouvem a vida num três, sem projectar o futuro e ligar ao desenho que eu fiz a caneta, aos dois desenhos que exponho juntamente com este texto delirante, de alucinações atrás de delírios, do delirium tremus, de um estado vegetativo ou um coma profundo, que faz relembrar sexo oral da cavidade hiperbólica que centrifuga esta civilização tal como a relatividade geral explica. Adeus Newton, olá Einstein.
Anoto para que não me esqueça. Sou um mero jornalista que meteu uns cones há uns 20 anos e viveu o que se viveu em Woodstock em 1969 com Jimi Hendrix tripando em frente de meio milhão de pessoas, com os efeitos totais da beleza das notas de uma sinfonia de Beethoven, não sabendo explicar como é que a sua guitarra eléctrica fazia tremenda magia com as cordas. E que as pessoas alheias a tamanha natureza não presenciavam o mesmo que os escutantes de Genesis que nos concertos punham ácidos e assistiam à beleza que eles faziam com as luzes e as roupas naturais de freaks e saíam de lá num sentimento sensacional de ter conseguido atingir algo de outro Universo. Mas mal sabiam que tudo se devia à dose certa do ácido daquela altura.
Muito as pessoas não vêem porque os governos são egoístas e constroem uma parede entre a estátua da Liberdade e o conceito da Liberdade, como se o mundo físico não conseguisse estar em harmonia com o mundo conceptual. Mas vamos sendo assim roubados sobre planos que tentam pôr fim a paranóias e tornar-nos leigos, sem voz, que escrevem em blogs que não são lidos, que expõe retratos de realidades absurdas como eu faço. De futuros que ninguém sonha sequer nos sonhos pesados e realistas de quem teve trama com alucinogénicos.
E nem tudo a psiquiatria sabe ou explica ou resolve, só contempla alguns parâmetros e faz voz surda a quem lhe é alheia. E realmente como muitos dizem, devíamos pôr estar sociedade numa clínica psiquiátrica, “vá tudo lá para dentro, chega de fixionismo no dinheiro”.
Não procuro respostas. Nem questões. Só desenho.

Domingo, Novembro 30, 2008

Sobre o desenho abaixo - que fiz


Sobre o desenho acima - que fiz
Pedro says:
podes ampliar, não tenho medo que vejas as falhas
Coiso says:
afinal já tinha visto
Pedro says:
vês a matemática no canto superior direito?
Pedro says:
aquele espacinho...
Pedro says:
e tem uma planta no meio dela
Pedro says:
do outro lado está um bicho que parece ter uma máscara para proteger das toxinas
Pedro says:
à frente tem um morcego porque ele não vê no escuro e o morcego guia-o
Pedro says:
por trás desse boneco com a máscara está o sol
Pedro says:
mas o sol nublado
Pedro says:
que tem nuvens em frente
Pedro says:
mas as nuvens escondem um símbolo
Pedro says:
que está no sol
Pedro says:
e que está na parte de baixo da lata de COCA cola
Coiso says:
oh meu deus
Pedro says:
consegues ver?
Coiso says:
sim e daí?
Pedro says:
esse bicharoco de máscara o que tem nas orelhas é um daqueles brincos que põem nas ovelhas e nas vacas para as marcar
Pedro says:
para terem uma identidade
Pedro says:
o homem que parece uma banana ou uma pila também tem um brinco
Pedro says:
que reluz
Pedro says:
que é tipo diamante
Pedro says:
e esse não está protegido com uma máscara
Pedro says:
e tem os dentes todos defeituosos e mostra-os
Pedro says:
ao invés do que tem uma máscara
Pedro says:
e que nem dentes se sabe que tem
Pedro says:
e isto tudo visto num mundo imaginário desenhado numa folha de papel
Coiso says:
lol
Coiso says:
tu não existes rapaz
Pedro says:
sabes mas esse senhor que não se protege num mundo em que o céu está nublado
Pedro says:
e as nuvens escondem o símbolo que está no sol que no desenho está na parte debaixo da lata da COCA cola
Pedro says:
esse senhor esconde um castelo no bolso
Pedro says:
e uma caneta
Pedro says:
e tem um brinco que não diz coisa nenhuma, é só de cristal, a mão direita inchada que não dá para usar a caneta, a esquerda com um sétimo dedo que parece um animal,
Pedro says:
não interessa qual o cristal
Pedro says:
reluz a luz que recebe
Pedro says:
ao invés de identificar seja o que for
Pedro says:
esse senhor meio abananado está acima das nuvens
Pedro says:
rodeado por estrelas
Pedro says:
com 3 olhos
Pedro says:
dois para ver o mundo
Pedro says:
e o outro está direccionado para a matemática
Pedro says:
esse senhor que ouve o som da lua encantada por duendes
Pedro says:
e que está acima do Sol não quer mal ao mundo
Pedro says:
porque como vês no desenho nem lhe toca
Pedro says:
mas lá em baixo vês borboletas
Pedro says:
átomos
Pedro says:
notas de música
Pedro says:
ele apenas não vai lá não é por o repugnar
Pedro says:
é porque a parte do seu papel não passa por lá
Pedro says:
como dá para ver na imagem
Coiso says:
ok eu acredito em ti
Pedro says:
em que os aviões parecem estar a cair
Pedro says:
e espero que tenhas percebido a pequena parte do meu desenho
Pedro says:
espero que não dê muitas voltas na tua cabeça
Pedro says:
mas repara ainda que na cabeça desse abananado
Pedro says:
está uma cascata
Pedro says:
amplia
Pedro says:
e tem lá um pato
Pedro says:
quer dizer que a cabeça desse senhor ainda consegue alimentar seres vivos, que mesmo lá no céu Pedro says:
mesmo lá em cima esse meio abananado e a sua cabeça conseguem servir de riacho para uma cascata e um pato a nadar todo feliz
Pedro says:
e ele bem podia estar lá como o surfista no planeta terra, que tu vês lá numa prancha rodeado de notas de música que nem sei o que querem dizer
Pedro says:
mas simplesmente ele foi desenhado para aquela parte do papel
Pedro says:
e cabe-lhe fazer essa parte
Pedro says:
mas no meu desenho vês uma coisa estúpida que nem o ser da máscara ou o abananado fazem
Pedro says:
que é um pássaro tentar engolir um avião
Pedro says:
mesmo ao lado da borboleta
Pedro says:
e olha que a escala geográfica do meu desenho está desintercalada
Pedro says:
pronto, fica entre nós o segredo do meu desenho
Pedro says:
talvez um dia o conte
Pedro says:
podias agora fazer-me um favor?
Pedro says:
ver se tinhas outro, que te mostrei...
Pedro says:
porque eu precisava
Coiso says:
ok
Pedro says:
é um muito mais simples e com menos história
Pedro says:
queria pôr no hi5
Coiso says:
então mete
Pedro says:
mas não o tenho
Pedro says:
perdi-o
Pedro says:
e se tivesses nos ficheiros recebidos..
Coiso says:
ah não, aqui não tenho
Pedro says:
ah ok
Pedro says:
eu sei que chateei
Pedro says:
mas quis mostrar-te o significado da minha imagem do desenho
Coiso says:
loool está bem rapaz, fica descansado
Pedro says:
é que o meio abananado também tem outro brinco, que não brilha
Pedro says:
e pus-me a contar a história dos opostos
Pedro says:
como se estivesse tudo lá
Pedro says:
e não está, falta e muito.

Terça-feira, Novembro 25, 2008

A família do Joaquim


O senhor Joaquim era pedreiro. Um pedreiro que trabalhava horas a fio, pensando nos seus poderes de construção. Não parava de sonhar em conseguir chegar ao topo do ramo, de fazer obras para este e para aquele. O stress irritava-o, a ansiedade fazia-o empilhar sobre betume tijolo, tijolo a tijolo. Não via o negrume das fazendas, gostava por isso de as pintar de branco e recusava logo de início as construções de pessoas que queriam pintar o exterior de amarelo.
Era, por tal, trabalhador assíduo e acelerado, gostava de estratagemas, de pensar formas de optimizar a construção, de elaborar pequenas fugas das ordens gerais dos arquitectos, pois nelas haviam lascas que não eram prescritas e assim deixavam-lhe asas para a sua imaginação fluir como vento, abrir a consciência a novas vibrações de empreiteiro.
A sua filha, Ana Madalena, era Emo, só que não aderia à área da mutilação e por isso não costumava juntar-se muito ao grupo, nem muito aos de fora, o grupo dos que não são Emo. Por causa disso ela era chamada de Madalena, numa alegoria à antiguidade, de ainda prevalecer na magnitude da concentração que os pais tinham no dinheiro e na afinidade a uma vida de preservação pessoal.
Contudo, o irmão, filho do Joaquim, não era Emo, não era beto, não era o que o pai queria que fosse, não era alguém. A sua mente era despersonalizada, afincada a transtornos diários, por não saber o lado a que se viraria melhor se tivesse oportunidade. O filho do Joaquim só queria namorar. Só queria encontrar a tal, mas como a sua mente era um Caos neurótico era-lhe impossível traçar um caminho numa folha como os arquitectos faziam às obras do pai para que os outros vissem o que realmente tinha na alma.
No outro lado da casa, no quarto restante, existia o Afonso, o irmão mais velho, filho do Joaquim, ele passava a vida fechado no computador, como se vivesse num casulo e fosse uma lagarta que precisava de ovular para passar a borboleta e eu pudesse falar sobre ele como se soubesse do que falo. Mas dele e com ele era difícil de falar, porque o seu estado emocional faria prevalecer uma eterna doença, algo maníaco depressivo, tristonho, uma tendência súbira a descarregar o pior da sua alma como se fosse má pessoa, mas no fundo nem ele sabia, nem os outros, que aquela forma de ser fazia parte de um grande plano e ligava-o à parte animal do Homem, à parte que nos mostra que não somos livres, que somos escravos da matéria e do mundo material, que obedecemos às nossas rotinas e acabamos por querer ouvir slogans, palavras repetidas que relembram sempre o passado, o antigo, o senhor Joaquim.

Um dia a Madalena saía de casa, enquanto a sua mãe arranjava as flores das púcaras, obcecada pela rotina, via um rapaz jeitoso, a passar na rua, num automóvel, descapotável, mesmo ao jeito para que ela saltasse por cima da porta e a levasse ao centro do acto do beijo, como se conhecessem desde sempre e nada daquilo fosse uma tentativa desesperada de apurar a sua inocência, transportando-a daquela prisão que sentia enclausurá-la todos os dias, daquela casa que o pai construiu e que pela vicissitude o levava a construir muitas mais, deixando em cada uma delas a marca pessoal da sua criatividade, que os arquitectos não eram capaz de prescrever, porque eles também fazem parte de um grande plano que escapa aos seus olhos e aos de toda a gente. A definição do que é real. E era real que naquele momento o paradoxo subsistia na cabeça adolescente de Ana Madalena, enquanto sonhava galgar o lancil, suster a respiração e beijar o rapaz que estacionava em frente a sua casa numa rua tipicamente de bairro americano com passeio e valeta e condutas para a água, que foram projectadas por antigos intelectuais que passaram pela vida de estudante.
Do outro lado o seu irmão do meio perseverava numa vida pouco tónica, colocando posters nas paredes, na porta do quarto, dizendo ‘’Não Entrar’’, ‘’Fumar Mata’’, e nesse aspecto tinha razão ou não tinha, mas que era um jovem disperso era, e a sua mãe bem o dizia às vizinhas todos os dias quando falava da vida do filho e da cirurgia que um dia fez que quase lhe podia ter tirado a vida e que por isso ele ficava duvidoso perante questões existenciais e de critérios sobre avaliação de crenças acerca do ser, existir e percepcionar, mas disso ela não percebia porque cingia-se ao que ‘’os outros pensam e sabem acerca de nós’’, posto que um dos grandes medos dela era de não arrancar uma boa senha para uma boa posição social da zona.
Embora a filha contornasse o seu sonho, o seu desejo fugaz e hormonal, ao ter apanhado o autocarro e juntado-se ao grupo de amigas, que apeadas nos bancos, desrespeitando a regra do cinto de segurança, cochichavam da vida das outras pertencentes a outros grupos, o pai continuava a trabalhar, zelando a massa cinzenta do betume com o seu desejo empírico de dinheiro e reconhecimento de pai de família, mantendo perpetuamente um mundo cambeleado em camadas de gesso, que se tiram e põem e fazem crescer pêlos que no fundo, mesmo feios aos nossos olhos, protegem a pele, pele que é desprovida de inteligência.
Mas no meio disto tudo restava o irmão mais velho, que sabia o sentido da vida no fundo do seu subconsciente, que lhe era inacessível a tempo inteiro, mas que de dentadas a dentadas lá lhe ia matando o bicho e dando uma trinca a pouco e pouco. Sabia que a vida tinha de ser aceite como é, e o passado não pode ser mudado, que a criação consiste nisso mesmo e que os Cd’s de música que tinha, os livros, os tazos, os legos, os puzzles, as séries, eram tudo parte de algo que tinha de aceitar e sabia que tinha de respeitar, por mais que quisesse mudá-las e fazer aparecer nesses objectos coisas do íntimo e da sua vontade, não era capaz, porque era só um Homem, e como todo o Homem é, não aceita a sua condição e procura mais até que a sede o derrube e veja-se na posição de um animal que só pretende satisfazer as suas necessidas e sobreviver, protegendo-se de todas as inquisções espirituais e que nos ligam à eternidade, que nos ligam à mensagem das campanhas publicitárias que dizem que o tempo não existe e é só uma alegoria que o irmão do meio usa para conseguir manter-se à parte de tudo, vagueando em todas as áreas que um adolescente consegue descobrir, não pertecendo a nenhuma e fazendo tudo o que os outros fazem nessas áreas desses pequenos mundos que cria, para satisfazer a sua necessidade de aceitar o mundo paradoxal, que sabe que existem dois sabores na vida opostos, e que com muitos desses dois sabores se fazem muitos outros sabores, porque esse filho do meio sabe escolher a dose certa, mas com muitas misturas pelo meio, como se pudesse ter poderes paranormais e não soubesse como o filho mais velho sabe que as regras foram todas determinadas para que um dia a raça humana, seres conscientes e espirituais como os gatos e cães descobrissem que não há limites e vissem o oposto, a outra face da moeda, o aceitar a natureza para que ela lhe desse um empurrão e mudasse o destino, deixasse tocar em outros Universos e visse que com duas coisas se fazem muito, mas também visse que sem essas duas coisas nada existia: Mal e Bem, Doce e Amargo, Bom e Menos Bom, Bem e Mal.
E como o pai sabia quando fazia um orçamento de uma casa de que aquilo era mais do que o dinheiro podia fazer, e o que os filhos não sabiam, mas também nenhum dos cinco, sabia que faziam parte de um grande plano, contando com a mãe, nem os arquitectos sabiam, nem o próprio feitor do plano, pois visto do avesso, tudo pode ser simplesmente evolução no bom sentido, de harmonizar tudo e ir camada a camada criando algo mais consistente e não ter havido construtor nenhum, como na altura da pedra em que os homens aproveitavam as grutas e faziam daquilo casas, sem que precisassem de eles ter construído ou alguém com poderes acima deles, sem precisarem pois de ser crentes até ao fim da sua existência.
Estando assim na melodia infinita de um violino de apenas duas cordas, vibrando e criando a sinfonia de uma música simples, mas a um violino de duas cordas juntou-se outro violino de duas cordas e em conjunto formaram uma música mais bela, embora não houvesse maestro, nem Joaquim a fazer pequenas coisas que os arquitectos não mandavam e que não era ilegais segundo a lei nem comprometiam a segurança da modulação da casa, mas que um dia faria pensar os filhos que algo de místico ali se passou e quem teria construído aquilo pensara em querer ver alguém a divertir-se com pequenas formas postas de maneiras que nunca se tinha visto em outra casa, e assim pensaria que já alguém saberia construir coisas muito mais avançadas e faria parte de um processo de criação ao invés de pensar que ele é que descobrira esse pequeno detalhe que por acaso foi feito sem querer e agora estaria na vanguarda de conseguir ver algo de inovador e ser ele um Deus perante o Universo.
Mas nesta forma de desencadear a história da família do Joaquim pouco se falou da mãe, só que por fim, se sabe que em todas as casas há algo de humilde e inocente, um lar, doce lar e por isso, só se sabe que ela tomava conta dos filhos e da Madalena, com carinho, com dedicação, com calma, confiando na sua intuição.

Ponto Final.

Quarta-feira, Novembro 19, 2008

Dedicado à mãe do Tobias


The sunshine was right about to be awake measured by our souls freaking out together a wish which seems a treasure. The world filled with poverty couldn’t smile to dollies which were breaking all air around the brain and impelling us to see an aura around the head.
Laurinda, such a good person, was about to be written in history by reasons such as brotherhood and see things just the way it is. But she helped a person called Tobias, giving to him a world like Lucy in the Sky with Diamonds, without war, without bad trips, without shocking feelings and just without.
To understand novelty this narration you should pull strawberries into a wall and smash with your empty spiritual part. Because she is not with us anymore physically, amoung us, although spiritually she is everywhere, in Tobias’s eyes, in my eyes, in our minds, just like the great spiritual path, just like getting the opportunity to the secret window, and in where those who don’t know are breeding.
I will never forget and because I relief in butterfly effect, as God believes too, her ideals magnitude will have a great impact in the future, to illustrate everyone who don’t have faith where is the pathway to their train, to see what is share, not computational stuff!, but share energy from chakras, since the maximal Universe extension into infra quantum particles...

Dedicated to Laurinda and Tobias and their family. I'm sorry by what happened.


I'm sorry by such bad english.

Quarta-feira, Novembro 05, 2008

Bonecas Russas


O Universo era uma lata gigante a fritar enquanto a Lua era a sua mãe, um espelho que nocturnamente ressoava sobre a Terra que tornava o Tempo numa Esponja que dilata à medida que a Mente congestionava as Veias no Seio da Humanidade.
O Universo gastava a sua energia em parapeitos com o Tempo, eram uma Moeda com duas caras, como as Bonecas Russas que se encaixavam na Terra que nem ginjas. A Magia também fazia parte do Universo, eram todos Modelos para os quais só a forma conta no desfile da Vida, na avenida da Vida, porquanto a Vida tem uma Avenida e numa Avenida também há Vida, por tal as duas eram indassociáveis' e as poucas memórias do arco da Velha vinham ao de cima e Maria sorria lá no cúmulo.
No cúmulo as Bonecas Russas, encaixadas umas nas outras, sorriam no Tempo todo, e no fim de Tudo via-se que não fritavam como a Lua por causa do Sol, nem passavam de Bonecas Russas na Terra. A Criança era inocente à beira do Abismo e não sabia o que fazer à Terra nem conseguia porque não tinha Magia consigo, nem se encontrava no Seio da Humanidade, faltava-lhe Veias no Seio da Humanidade, estava desentralaçado' de um Sistema que era o Universo e mesmo assim mantinha-se na Terra, era um pobre oriundo cujos Modelos não dançavam no Seio de Shiva, nem no Seio dos seus ancestrais que era a Mente e uma Esponja.
O Abismo era um Buraco negro que os Franceses, que gostavam era de procurar o Holy Grail, uma taça brilhante que descaía Luz para os olhos da Criança, odiavam, não tinha a Luz, pensavam os Franceses, porém os Franceses só pensavam que a Criança, Mente e o Holy Grail' eram parte do mesmo baralho. Tinham medo de que o Seio de Humanidade e o Universo estivessem em harmonia ao ponto de a Mente e a Criança estarem em sintonia, numa predisposição de ter um calibre suficiente para apanhar o Sol e regressarem com o Holy Grail que contém a Luz que pertence a todo o Universo.
Mas havia uma velha Vidente, uma Bruxa e uma Adivinha - as três conheciam a escuridão e também conheciam a Luz bonita, brilhante, a bastarda que era atraída gravemente pela assustadora manhosa Avenida da Vida', os trechos da Vida eram incansáveis, ela era esperta e súbtil, tinha placares em todo o lado, mensagens subliminares que ninguém percebia, nem a Vida queria perceber -, sabiam que só se os Franceses fizessem um pacto com a Criança podiam correr para o Abismo e saltar sem pára-quedas, controlando todos os Sistemas e Modelos e Moedas, fechando o Buraco Negro que deu à Luz tudo o que ela é hoje, porque, embora os Franceses não gostem da palavra, é verdade que o Buraco Negro não é nada passado, e nele se escondem os segredos, a Criança que está ligada com ele, a esponja que dilata na espuma do Tempo, as Bonecas Russas que encaixadas nunca mais acabam, o limbo, a fazendo dos grãos de milho que mais tarde ajudaram a Terra a ajudar a Bruxa, a Vidente e a Adivinha. Mas nunca a Criança dirá o futuro às três, e por isso ficará no Seio da Humanidade, sorrindo, dançando, brilhando, saltando, cantando, imaginando, sonhando, experimentando, vendo Tudo, Shiva e o Seio da Humanidade, a Avenida da Vida sobrevivendo com o seu grande pulmão, os Sistemas e Modelos na passerelle, o Holy Grail que os Franceses queriam encontrar e o Tudo que tem de ser aceite pelo que é e porque é tem de ser.
Sendo assim, e diz agora a Maria que a História tem de ter um fim, o que é uma Criança para contrariar?

Terça-feira, Outubro 14, 2008

Ujjwala ݙݐۼچڝڞ Hayes

‘Juntos para sempre. Aferrados para sempre. Na procura da Terra do Nunca. Vívidos na escória das gentes.’ Duas das pessoas que Ujjwala com aquelas palavras rememorava de vez em vez quando sorria. Lembrando Nova Délhi, emancipando os trajes coloridos, a tecedura exótica da túnica, os famosos ‘mandalas’ e ‘mantras’ que são a única representação visual e auditiva vibrante de Deus na Terra, o elo divindade, das linhas pitorescas da obra do Criador, a única que os famosos hippies se davam ao trabalho de pintar nas Vans e nas paredes das ruas. Porém de hippies ela nada sabia, nem queria ter paranóias ao ponto de chegar a essa famosa conexão, uma vez que ela as rememorava num tom místico, religioso, de feições aos templos provectos, cuja peça a peça fora construída por coolie a coolie, numa sintonia difícil de compreender para a sua fase.
Mas naquela altura, sob o espectro da estrela iluminadora, meditava em frente a uma mesa de culto, o cheio a sândalo, as velas acesas, imagens de Deus, rodeada pela frescura das árvores, ao ar livro. Evitava o pensamento agarrado ao mundo real, abstraída em algo que nenhuma carne entende, que fica fora dos cinco sentidos. Todavia alguém interrompe. Alguém que nunca provara aquele estado, desconhecedor, alguém que os humanos chamariam de infiel, que os católicos chamariam de estrangeiro, que os astecas chamariam de Deus, que os ateus chamariam de moderno de propício a diálogos, mas que Ujjwala chamaria de alguém vazio de espírito, alguém que pelo ideal Hindu não puderia evitar mas que precisava de um guia, de uma chama, de uma candeia de sentimentos, que precisava da energia ininteligível Hindu que partilhava estados de consciência indescritíveis, o fundamentalismo do bem, das linhas que unem todo o ser vivo existente, uma a uma afiando uma cor característica, que quando nos damos com muita gente se agregam dando um fruto que os orientais ascéticos designaram de aura.
Um dinamismo negativo, de roupas de quem era agarrado à vida material, aos bens, ao estar e parecer, à ideia contrafeita de que bares, discotecas e cafés são os sítios para que se confraternize e sejamos sociais quando foram construídos na maioria das vezes sem qualquer aposentação espiritual, pois claramente Ujjwala reconhecia que as dificuldades da vida e do mundo material não se curavam a pagar cêntimos por uma bebida que nada proporciona além de estupidez, além disso é o vazio e haver sempre a energia negativa do ‘barman’ que pensa no lucro e no fingimento, na ideia de receber primeiro para que se dê, em outros terem iniciativa, em haver alguém que entre pela porta ou tenha respondido à publicidade daquele local que nada emite sobre as origens dos seres vivos existentes à superfície neste segundo, neste instante, nesta pequena plebe do tempo que nada é comparada com o segundo, o ‘barman’ aposentador de nunca tomar a iniciativa daquela bondade que todos ali procuram entre o grupo de conhecidos ou desconhecidos como a pessoa que se apaixona e que apresenta todos os sintomas da criação da natureza que luta pela pessoa que ama e ajuda o mundo para que consiga equilibrar a balança da felicidade e bem-estar no ponto de estabilidade que marca a igualdade entre a alegria que sentiremos e o que demos a sentir a todo o ser vivo existente, o ‘barman’ que tanto atende pessoas endinheiradas, capazes de descarregar trocos nada ressentidos, como perdidos da vida que o pouco que têm gastam em malefícios.
Nada disso Ujjwala era capaz de consentir. Via-se a mausoléus de distância que os olhos de Ujjwala brilhavam no requinte da clemência humana, incapaz de repugnar pessoas más ou boas ou de as excluir ou de lhes dar um tratamento diferente, estando consciente disso tudo em pé de igualdade porque como humana sorumbática era Ujjwwala que vestia um traje da Índia, que guiavam as almas perdidas pelas florestas em torno os templos, e tinha uma bracelete escura que ajudava a prender o cabelo juntamente com um gancho e uma fita para o rabo-de-cavalo, sandálias que mostravam as unhas pintadas e a pele morena, o Shanglon na testa, a adoração constante a Brahman, que nas conversas práticas reconhecia como aliado a Shiva, posto que não há criação sem destruição, as braceletes nos braços, de metal, fechadas e semi fechadas, em forma de toro, e outras nem tanto, e com uma muito especial que recebera na celebração de Thaipusam.
Mas aquele sentimento de retracção, fora da espiritualidade da Índia cerrada, longe, naquele estado de recordar agora em desarmonia com a adoração que praticava Nova Délhi, Daegal e Uttara, dois amigos de Calcutá que tiveram uma relação de amor verdadeiro, imprimia-lhe uma sensação oposta ao ser humano céptico que lhe interrompera a meditação com o intuito de lhe pedir uma indicação, a verdadeira metáfora que qualquer incrédulo apresaria na busca de um caminho. Ela estaria apta para lhe falar sobre as suas crenças, a sua filosofia de vida, a sabedoria dos escritos, as falas impressas em letras, em ilustrações do subconsciente dos antigos sábios, dos escrivãs, no entanto sorria-lhe, não controlando o sorriso de harmonia, que agitavam os seus fios e transformavam numa aura agitada de campos de energia que vibrava constantemente, enrodilhada em desenhos parecidos a figuras matemáticas chamadas de fractais, que figuravam a sua consciência e emoções a modificar a cada segundo, num festejo de divindade, estados de percepção e que faziam parar o tempo, dando-lhe todas as boas sensações da vida ao peito e coração naquela fracção de segundo. Era o amor, as flores de todas as cores que fluíam em torno da sua alma, a fonte luminosa que incandesce algo que nenhuma palavra ou livro ou biblioteca ou biblioteca de todas as bibliotecas seria capaz de explicar durante uma vida, o amor, a fonte do sentir que estremecia a sua Salwar Kameez, esventrando-a e deixando-a pousar ao sabor do vento, do agitar das folhas das árvores, o amor que se estabelecia com o desconhecido, os fios que puxavam o tal ocidental até a um local de culto, a força da natureza que esperara tantos anos, planeando tudo, criando estratagemas mais subtis que qualquer génio alguma vez faria, com a intenção de se encontrarem na chama de todos os sentimentos na mais banal das situações à escala de os tornar óbvio à vista desarmada de um e do outro. E aquela situação, em que velas acesas derretiam cera e as imagens de mandalas e yantras brilhavam com a pausa habitual do amor verdadeiro, o estremecer das folhas das árvores recordavam o ouvir da chuva lá fora quando estamos num lugar seguro, mostravam a força do Karma e da lei da atracção. E o discurso de seguida também, e o beijarem-se ternamente, no fim, na face. E a partilha da vida de cada um, o esquecimento dos problemas, da discrepância de doutrinas, do mau estar, permanecendo constantemente num estado de harmonia.
Os outros encontros não são precisos descrever, é como tentar interpretar os desenhos Hindus, as figuras geométricas entrelaçadas. A futura união também. E o fim ficou assim ao grado de cada um, de Ujjwala e de Hayes, primeiro porquanto ele encontrou o lugar que procurava, segundo porquanto a meditação a ajudou e terceiro porque eles subsistiam ambos na plenitude.
Por último, fora deles e de todo o Espaço, sabendo eles e os filhos, o Fim não os preocupava.

Sábado, Outubro 11, 2008

A Patrícia Lino


Eu reverencio o Universo, prestigio as correntezas que amalgamam os sensíveis, desfruto as planícies, as nascentes, as pedras no fundo do rio, a água límpida, as bicas, a água refrescante, encharcar-me. Fruo veramente desta oportunidade, de me aclarar acerca de uma privação.Patrícia Lino, a pessoa é superior a uma denominação, não a concebendo visceralmente, sei que a pele nívea, a visão artística, a ilustração artística, as mãos artísticas, a mente artística, a obra artística, a escrita artística, fazem parte dela. Ela é de outro mundo e por isso não me faço ouvir, sou de um tão baixo, não! Fui e sou tão baixo! Nunca mais cresço, repito, mantenho-me neste estado de calamidade, inalterado, estático, e vejo-me a perder a universalidade. Eu tinha-te dito, Universo, que eras uma índole para mim! O Porto é gentil, recordo-me dele.Leio os seus artigos, são de uma natureza digna das fontes, das nascentes, das correntes convulsas, de um precipício para um paraíso, sumi nele, de um mar cujo pôr-do-sol apodera-se dele e da nossa atenção e já não queremos escoltar a fileira de trânsito, apareçamos tardiamente, que se dane o que se passar em casa! É intricado ficar na graça de alguém. No seu planeta surgem regiões abarrotadas de flores, de espécies que desconheço, digo que são giras porque a luz que advém de lá é de um espectro exótico, de uma alternância quântica...Patrícia Lino, Patrícia Lino, enriqueça o teor do discurso com nomes aprazíveis, sensacionais, extraordinários, que dê valor ao que escrevo, só de o agrafar serei Nobel! Desenhos realistas, ela diz ser anárquica, venero anarquistas! Pessoas traçadas, ela esboça o amor, ela escreve e pensa, ela é surpreendente e tem amigos de ouro! Ela é de diamante, evidentemente que dito na linguagem do planeta de onde veio, de translação ‘de valor incalculável’! Não peço nada, não peço não a perder, nem sequer peço ser seu amigo porque seria uma honra que só uma turma de ouro merece, só peço para que continue com os escritos e que não deixe de os ler! Adornos do renascimento, o encanto do cubismo, a excentricidade de Dali, a exposição rústica, o coração que lateja impelindo o sangue, a essência do júbilo de a ler... ...A escrita de Patrícia Lino... e Patrícia Lino. E a Patrícia Lino.